quarta-feira, 9 de abril de 2008
Nada surpreende ninguém. Quinze mortos e quarenta feridos em alguma explosão de um carro-bomba em algum país religiosa e politicamente intolerante? Totalmente compreensível. Nós, ditos civilizados, somos e ignoramos o fato de sermos alienados, afinal de contas, é de ignorância que se consiste a alienação. Quinze a mais, quinze a menos, que diferença fará no preço da passagem do meu ônibus ou na regularidade do pagamento do salário dos meus pais? São apenas quinze mortos, trinta viúvos, noventa orfãos, cento e cinqüenta bons amigos de luto, nenhum deles significantemente importantes para mim.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Novembro me faz pensar
Dúvidas sobre o óbvio
Cheguei ao inacreditável ponto de não conseguir distinguir o bom do ruim
Por mim, tudo bem
Para mim, tanto faz
Tento entender, em vão, como as coisas em vão tomaram conta de mim
Eu me deixei levar
E temo não conseguir voltar
Fecho os olhos e sigo em frente
Procurando por cada rastro de vento e vulto de sorriso, para assim, me sentir melhor
(algum dia de Novembro/2007)
Cheguei ao inacreditável ponto de não conseguir distinguir o bom do ruim
Por mim, tudo bem
Para mim, tanto faz
Tento entender, em vão, como as coisas em vão tomaram conta de mim
Eu me deixei levar
E temo não conseguir voltar
Fecho os olhos e sigo em frente
Procurando por cada rastro de vento e vulto de sorriso, para assim, me sentir melhor
(algum dia de Novembro/2007)
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Cê tá legal?
- Ow
- Ã
- Cê tá legal?
- Eu tô legal
- Sério mesmo?
- Eu tô legal...
- Ahn
- ...
- Não parece, sabia?
- Sabia
- Velho, cê num tá legal não
- Eu tô legal, acredite
- Então tá, o que tem feito?
- Nada
- Pff, tem ido pras night?
- Não
- Poxa...
- Eu tô legal
- Ahn?
- Nada
- Olha, tô indo ali, a gente se fala
- Tá
Eu tô legal...
- Ã
- Cê tá legal?
- Eu tô legal
- Sério mesmo?
- Eu tô legal...
- Ahn
- ...
- Não parece, sabia?
- Sabia
- Velho, cê num tá legal não
- Eu tô legal, acredite
- Então tá, o que tem feito?
- Nada
- Pff, tem ido pras night?
- Não
- Poxa...
- Eu tô legal
- Ahn?
- Nada
- Olha, tô indo ali, a gente se fala
- Tá
Eu tô legal...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Shit
As pessoas chegam em mim e comentam "Nossa, vi a Fulana outro dia, como ela está depressiva! Não gosto de ver ela assim" e expressam remorço em suas faces, é aí que eu penso se alguém um dia ainda vai perceber o quanto é difícil esconder toda essa perturbação que me persegue.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Fé?
É como se eu sentisse que as coisas finalmente começavam a andar. Um sentimento deveras confuso, que não me dava certeza de nada a não ser do intuito em confiar-lhe as rédeas momentâneas.
Chamariam-o de esperança? É provável. Um nome um tanto quanto clichê e perdido, que perdeu-se em popularizações, falsos entendimentos e modismos. Não a chamo de fé, não acredito que seja digna de tão pouca dignidade. "A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade", e não, eu não quero. Descrença, uma esperança com uma pitada de descreça. Aquela enorme vontade de voar, mas a consciência sempre vem e me belisca. Quero acreditar mas não quero fugir, e sim, eu sei, você sabe e nós sabemos que fugir é mais fácil. Fugindo dos problemas não se encontra as soluções, são como buracos sem finalidades, fugindo um dia perceberás que sua vida não passa de um enorme, escuro, frio e vazio buraco. Mas as soluções não nos vem como nos vem as idéias e pensamentos, elas vem por trás e nem sempre estão assim, tão evidentes. Crie-as. Elas existem e as faça aparecer. Não fuja. Resista. Resista com dificuldades mas resista. Lembre-se que uma simples fração de segundo em fraqueza te complica, ou te salva. E não crie esperanças, elas são fragmentos de fé, onde você é o estúpido e ela é quem te engana.
Chamariam-o de esperança? É provável. Um nome um tanto quanto clichê e perdido, que perdeu-se em popularizações, falsos entendimentos e modismos. Não a chamo de fé, não acredito que seja digna de tão pouca dignidade. "A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade", e não, eu não quero. Descrença, uma esperança com uma pitada de descreça. Aquela enorme vontade de voar, mas a consciência sempre vem e me belisca. Quero acreditar mas não quero fugir, e sim, eu sei, você sabe e nós sabemos que fugir é mais fácil. Fugindo dos problemas não se encontra as soluções, são como buracos sem finalidades, fugindo um dia perceberás que sua vida não passa de um enorme, escuro, frio e vazio buraco. Mas as soluções não nos vem como nos vem as idéias e pensamentos, elas vem por trás e nem sempre estão assim, tão evidentes. Crie-as. Elas existem e as faça aparecer. Não fuja. Resista. Resista com dificuldades mas resista. Lembre-se que uma simples fração de segundo em fraqueza te complica, ou te salva. E não crie esperanças, elas são fragmentos de fé, onde você é o estúpido e ela é quem te engana.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Vida?
O significado da palavra vida embaçava-se menos quanto antes, por mais que ele nunca esteja completa e claramente visível, ela se perdia em pérfidas esperanças de um dia entender-se.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Estúpida
Não consigo me manter constante
E acredito nunca conseguir
Estúpida em agir por impulsos
Estúpida em não achar isso tão anormal assim
Voltando aos não tão velhos tempos de fúria
Acho que prefiro a indiferença
Acho que prefiro mudar
Constantemente
Mas não consigo me manter constante
E acredito nunca conseguir
De repente percebo que ninguém vê
Não há para onde ir
Ainda não tenho planos, não tenho idéias
E é aí que entra o impulso
Estúpida
E acredito nunca conseguir
Estúpida em agir por impulsos
Estúpida em não achar isso tão anormal assim
Voltando aos não tão velhos tempos de fúria
Acho que prefiro a indiferença
Acho que prefiro mudar
Constantemente
Mas não consigo me manter constante
E acredito nunca conseguir
De repente percebo que ninguém vê
Não há para onde ir
Ainda não tenho planos, não tenho idéias
E é aí que entra o impulso
Estúpida
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Essa maldita falta de problemas e excesso de tranquilidade me irrita, que me irritando, acaba por me tornar problema de outros.
Desconcerto das supra-renais, exagero de 1,3,7 - trimetilxantina, desatentamento.
Perdendo o foco na infindável tentativa de me encaixar :\
Desconcerto das supra-renais, exagero de 1,3,7 - trimetilxantina, desatentamento.
Perdendo o foco na infindável tentativa de me encaixar :\
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Em vão
Tentando constantemente lutar contra o tempo
Com a contínua idéia da derrota
Enganando quem além de mim mesma?
Com o tempo eu aprendo
Com os inimigos se aprende (...)
Com a contínua idéia da derrota
Enganando quem além de mim mesma?
Com o tempo eu aprendo
Com os inimigos se aprende (...)
sábado, 3 de novembro de 2007
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Tendo como provável
Você sabe sempre o que fazer?
A vida era boa como a primeira chuva da Primavera. Traçava meus próximos 30 minutos em outros 3... Todos esses números e todas essas incógnitas me são tão estranhos.
A compreensão se foi e eu espero sentada (Como sempre esperei pelas descobertas da vida).
"E nessa espera, o mundo gira em linhas tortas".
Mas de olhos fechados, eu mal percebo a tortura.
A vida era boa como a primeira chuva da Primavera. Traçava meus próximos 30 minutos em outros 3... Todos esses números e todas essas incógnitas me são tão estranhos.
A compreensão se foi e eu espero sentada (Como sempre esperei pelas descobertas da vida).
"E nessa espera, o mundo gira em linhas tortas".
Mas de olhos fechados, eu mal percebo a tortura.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Bleh
Nostalgia cansa. E cansa mesmo. São etapas, não são? Primeiro, a nostalgia. Segundo, a vida morna. Um embalo espacejado e por fim, o avanço.
Acredito ter meio caminho andado, com alguns passos para trás e alguns para frente, nunca além disso.
Isso é bom ou ruim? Belo dilema, Ethel. Empolga e entristece, semana sim, semana não... Sometimes I just would like to kick my stupid life's ass :)
Acredito ter meio caminho andado, com alguns passos para trás e alguns para frente, nunca além disso.
Isso é bom ou ruim? Belo dilema, Ethel. Empolga e entristece, semana sim, semana não... Sometimes I just would like to kick my stupid life's ass :)
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Isto é o que a vida faz com a gente
Nada a dizer que Bukowisky não o faça melhor.
Mudando, aos poucos. Mas mudando.
"Eu dirigia pela Sunset, no fim de uma tarde, parei num sinal, e num ponto de ônibus vi uma ruiva tingida com um rosto brutal destroçado, emopoado, pintado, que dizia "isto é o que a vida faz com a gente". Eu podia imaginá-la bêbada, gritando com algum homem do outro lado da sala, e fiquei feliz por esse homem não ser eu. (...) Tudo bem. (...)
Você sabe que são as pessoas excepcionais que fazem o mundo girar. Elas mais ou menos fazem o mundo girar pra gente, enquanto a gente fica sentado sobre o rabo. (...). Camus escrevia como alguém que acabou de concluir um lauto de jantar de bife com batatas e salada, e depois enxaguou com uma garrafa de bom vinho francês. A humanidade podia ter andado sofrendo, mas ele não. Um sábio, talvez, mas Henry preferia alguém que gritasse quando se queimasse. (...)
Só os vivos fedem, só os agonizantes fedem, só os podres fedem. A morte não fede. Carne é carne, dor é dor. (...)
Era só dar quatro paredes a alguém que ele tinha uma chance. Nas ruas, nada se podia fazer. (...) Todos vocês, escritores, vivem chorando na miséria. Talvez a miséria tenha chegado. Não se pode viver da própria alma. Experimente fazer isso um dia. Os escritores são prostitutas, pensou, os escritores são as prostitutas do universo.
Eu estava morando com essa garota em Malibu. Ela me vestia bem, me alimentava. Me deu um chute. Agora estou morando num chuveiro. (...) Ela chegava, eu dizia "Oi, Lynne, eu levei seu cachorro pra um passeio". Aí ela sorria. Gostava disso. (...) Agora estou firme com Lu. Nossa, pensou, sou fiel. Nossa, pensou, sou um cara legal. Nossa. (...) Como se não amar as pessoas fosse algo que revelasse uma imperdoável deficiência espiritual.
Durante trinta anos eu quis ser um escritor, e agora sou um escritor, e que é que isso significa? (...) As pessoas simplesmente se acomodam com as coisas, como o emprego. As pessoas simplesmente se acomodam com as coisas. Acontece.
Uma vez me perguntaram...
- Qual é o impulso que faz você criar um poema?
- Que é que faz você dar uma cagada?
E outra, disseram.
- Eu acho que você é louco.
- Achavam que Joana D'arc era louca.
Estendeu-se na cama, pleno, em sua inglória.
A seguir viria a morte, a morte estava sempre ali. Bem, todos morremos um dia. É simples matemática. Tudo morre cagando.
O telefone tocou. Era sua namorada."
- BUK
Mudando, aos poucos. Mas mudando.
"Eu dirigia pela Sunset, no fim de uma tarde, parei num sinal, e num ponto de ônibus vi uma ruiva tingida com um rosto brutal destroçado, emopoado, pintado, que dizia "isto é o que a vida faz com a gente". Eu podia imaginá-la bêbada, gritando com algum homem do outro lado da sala, e fiquei feliz por esse homem não ser eu. (...) Tudo bem. (...)
Você sabe que são as pessoas excepcionais que fazem o mundo girar. Elas mais ou menos fazem o mundo girar pra gente, enquanto a gente fica sentado sobre o rabo. (...). Camus escrevia como alguém que acabou de concluir um lauto de jantar de bife com batatas e salada, e depois enxaguou com uma garrafa de bom vinho francês. A humanidade podia ter andado sofrendo, mas ele não. Um sábio, talvez, mas Henry preferia alguém que gritasse quando se queimasse. (...)
Só os vivos fedem, só os agonizantes fedem, só os podres fedem. A morte não fede. Carne é carne, dor é dor. (...)
Era só dar quatro paredes a alguém que ele tinha uma chance. Nas ruas, nada se podia fazer. (...) Todos vocês, escritores, vivem chorando na miséria. Talvez a miséria tenha chegado. Não se pode viver da própria alma. Experimente fazer isso um dia. Os escritores são prostitutas, pensou, os escritores são as prostitutas do universo.
Eu estava morando com essa garota em Malibu. Ela me vestia bem, me alimentava. Me deu um chute. Agora estou morando num chuveiro. (...) Ela chegava, eu dizia "Oi, Lynne, eu levei seu cachorro pra um passeio". Aí ela sorria. Gostava disso. (...) Agora estou firme com Lu. Nossa, pensou, sou fiel. Nossa, pensou, sou um cara legal. Nossa. (...) Como se não amar as pessoas fosse algo que revelasse uma imperdoável deficiência espiritual.
Durante trinta anos eu quis ser um escritor, e agora sou um escritor, e que é que isso significa? (...) As pessoas simplesmente se acomodam com as coisas, como o emprego. As pessoas simplesmente se acomodam com as coisas. Acontece.
Uma vez me perguntaram...
- Qual é o impulso que faz você criar um poema?
- Que é que faz você dar uma cagada?
E outra, disseram.
- Eu acho que você é louco.
- Achavam que Joana D'arc era louca.
Estendeu-se na cama, pleno, em sua inglória.
A seguir viria a morte, a morte estava sempre ali. Bem, todos morremos um dia. É simples matemática. Tudo morre cagando.
O telefone tocou. Era sua namorada."
- BUK


